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As Alterações Climáticas, a Saúde e a Nossa Responsabilidade Individual: Recomendações da SPMI
Os atentados contra o nosso ecossistema têm sido diversificados, graves e em crescendo mas o aquecimento global causado pela emissão de gases com efeito de estufa é a maior ameaça à sobrevivência do homem e do planeta que já enfrentamos. A reversão desta ameaça parece ser ainda possível mas depende das decisões de cada país, cada organização e cada pessoa nos próximos anos. Os médicos, enquanto cidadãos, pais e cuidadores, têm obrigação ética de se envolverem neste alerta global porque as alterações climáticas já estão a afetar os nossos doentes e vão condicionar o futuro dos nossos filhos e dos cidadãos em geral.
O ano de 2015 foi o mais quente desde que há registos e o nível do mar subiu 20 cm desde o inicio do século, a Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que as alterações climáticas já estejam a custar 150 000 vidas anualmente. As previsões são conhecidas: se nada for feito a temperatura vai aumentar a 2,6°C a 4,8°C até ao fim do século XXI, em 2080 já não haverá gelo durante o verão no Polo Norte nem no Polo sul, em 2100 cerca de 50% das plantas e dos animais da terra estarão extintos e o nível do mar subirá mais um metro, as inundações, incêndios e outras calamidades serão cada vez mais frequentes.
Em Portugal, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, o mês de abril de 2017 foi o mais quente dos meses homólogos, desde há 86 anos, estando 96% do território nacional em situação de seca. Em 2016 arderam 160 mil hectares, o correspondente a 160 mil estádios de futebol, o valor mais elevado desde há uma década. Em 2013 a onda de calor em Portugal foi responsável por 1700 mortes.
Estas consequências têm origem no efeito de estufa induzido pela emissão de vários gases, como o dióxido de carbono, o metano e o óxido nitroso, causada pela utilização de combustíveis fosseis, pela desflorestação, pela agricultura e pela criação de gado, entre outros. As consequências são o aquecimento da Terra, alterações climáticas, a diminuição da camada de gelo, a subida do nível do mar e a sua acidificação. Estas alterações não são fenómenos naturais mas são causados pela ação humana, sendo a China responsável por 28% destas emissões, seguida de perto pelos EUA (16%). Atualmente 92% da população já vive em áreas que superam o limite máximo de ozono definido pela OMS. O sector da saúde é o que consome mais energia depois do sector da alimentação, calculando-se que contribua em 8 a 10% para a emissão de gases com efeito de estufa. Os hospitais, em Portugal, consomem 11% da eletricidade, 18% do gás natural e produzem 108 mil toneladas de resíduos anualmente. (Continuar a ler)
Luís Campos Presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna
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