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Diabetes Gestacional: Casuística do Hospital da Horta de 2021 - Uma Preocupação Mantida
Ana Simas, Ricardo Veloso, Nuno Amorim, Ruth Fortes, Joana Decq Mota, Albina Correia, Ana Teixeira, Fátima Pinto
Resumo:
Introdução: A diabetes gestacional (DG) é uma complicação frequente na gravidez. Existem evidências da associação entre a hiperglicemia materna e o risco de complicações obstétricas e neonatais. A preocupação no diagnóstico precoce, tem vindo a permitir, entre outros, diminuir essas complicações.
O Hospital da Horta tem verificado, com alguma preocupação, uma prevalência desta patologia persistentemente maior do que a dos dados nacionais. O objetivo deste trabalho foi caracterizar a população com DG acompanhada e com parto no hospital em 2021.
Métodos: Estudo retrospetivo das grávidas com DG seguidas em consulta e das grávidas com DG com parto neste hospital. Os dados foram recolhidos do sistema informático hospitalar, registados e gravados numa base de dados. As características demográficas e clínicas das grávidas foram analisadas, assim como as características dos bebés nascidos destas gravidezes.
Resultados: Das grávidas com parto no hospital, 35% tiveram o diagnóstico de DG. Destas 58% tinham entre 30 e 39 anos. Das grávidas com DG seguidas em consulta, 35% tinham IMC de obesidade, e 35% de excesso de peso, sendo os restantes 30% normoponderais. Antecedentes familiares de diabetes mellitus (DM) estavam presentes em 36% das grávidas com DG e 35% tinham apresentado DG em gravidez anterior.
Conclusão: Mantém-se a prevalência elevada de DG nesta instituição, com valores superiores aos dados de Portugal Continental, mostrando-se a importância de uma atenção redobrada para estas grávidas de modo a reduzir o risco de complicações. Embora não tenham sido recolhidos dados suficientes que permitam tirar conclusões quanto a eventuais causas para esta disparidade de resultados, é essencial investigar as mesmas.
Revisão
Doença Cardiovascular Aterosclerótica, Necessidades não Satisfeitas, e Inclisiran
Jorge Ferreira, Isabel Palma, José Pereira de Moura, Miguel Gouveia, Ana Corte-Real, Alberto Mello e Silva
Resumo:
A doença cardiovascular aterosclerótica (DCVA) lidera as principais causas de morte e incapacidade a nível mundial, acarretando um pesado impacto económico, correspondente a 1% do produto interno bruto em Portugal. O desenvolvimento e progressão da DCVA encontra-se em estreita relação com a hipercolesterolemia, sendo que níveis elevados de C-LDL são o seu fator de risco mais importante e facilmente modificável. A redução do C-LDL provou diminuir a incidência de eventos cardiovasculares e as recomendações europeias advogam valores alvo de C-LDL de acordo com o risco cardiovascular do doente.
O risco da hipercolesterolemia é cumulativo, tornando-se relevante a redução do C-LDL o mais precocemente possível.
Apesar da eficácia e segurança demonstrada pelas diversas terapêuticas hipolipemiantes existentes, no mundo real a maioria dos doentes não atinge os valores lipídicos recomendados. Várias limitações ao adequado controlo lipídico foram apontadas, nomeadamente a baixa adesão dos doentes ao tratamento. Inclisiran é o primeiro fármaco que permite inibir a síntese de PCSK9 através do mecanismo de RNA de interferência.
Com uma administração subcutânea semestral, após administração nos dias 1 e 90, possibilita uma redução do C-LDL superior a 50%, com bom perfil de segurança. A vantagem da sua longa duração de ação permitirá potencialmente contornar a baixa adesão dos doentes ao tratamento e aumentar a efetividade na redução do C-LDL, que se poderá traduzir na redução da morbi-mortalidade por DCVA e do seu elevado impacto económico.