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Os internos de Medicina Interna são encarados pela Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI) como uma das suas grandes mais valias e isso mesmo ficou patente durante o terceiro dia do Congresso Nacional de Medicina Interna (CNMI), que decorre até amanhã, domingo, em Vilamoura, no Algarve. A tarde do Jovem Internista foi o espaço encontrado para reunir atuais e antigos internos da especialidade, que aproveitaram também a ocasião, associando-se ao NEForMI, de promover a décima edição da Escola de Verão. António Sousa, do Núcleo de Internos de Medicina Interna (NIMI), destacou a importância de reunir os médicos mais jovens no espaço do congresso, sublinhando que “são parte do ativo da Medicina Interna e os internistas do futuro”, e destacou ainda o tema escolhido para esta sessão, o programa “Choosing Wisely”.
Miguel Vieira, da Ordem dos Médicos, foi quem esteve na sessão para dar conta dos méritos deste programa e explicou que se trata de uma ação de literacia em saúde. “O Choosing Wisely – escolhas criteriosas em saúde é um programa de literacia em saúde, que pretende chegar a profissionais de saúde e especialmente à população em geral, numa linguagem acessível, de forma gratuita e 24 horas por dia, online. Tratam-se de documentos validados, recomendações que foram redigidas por profissionais e têm a certificação da Ordem dos Médicos”, esclareceu.
Numa segunda parte da sessão, o destaque foi então para o anúncio da décima edição da Escola de Verão de Medicina Interna (EVERMI), que como é já tradição vai decorrer em setembro, no Alentejo. Nuno Bernardino Vieira, membro do NEForMI, explicou que a data redonda obriga a que esta seja uma edição marcante e, por isso, prometeu novidades para o evento que vai acolher internos de norte a sul do país. “Estamos a apostar numa edição best off do que se passou nestas dez edições. No fundo, escolhemos destes dez anos os temas e espaços que mais acolhimento tiveram e reunimo-los numa só edição”, anunciou o internista que foi, enquanto interno, um dos alunos da EVERMI. Dicas para publicar artigos científicos Logo no início do dia, num simpósio dedicado à Revista de Medicina Interna, Helena Donato, consultora da publicação, explicou alguns conceitos que estão subjacentes à publicação de artigos científicos e deixou conselhos para os médicos que estão a pensar dar esse passo. “É importante evitar alguns erros básicos, que muitas vezes são recorrentes e invalidam ou atrasam a publicação dos artigos. Há algum desconhecimento das regras a seguir, e por vezes também alguma falta de originalidade dos trabalhos”, disse a especialista, frisando que o editor procura novidade e artigos que tragam algo de novo para a literatura científica.
Quanto à revista da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI), a consultora sublinhou que é uma revista de grande mérito científico e já indexada em boas bases de dados internacionais. “Julgo que há algum desconhecimento sobre essa mais valia desta revista. Por vezes valoriza-se mais o que é estrangeiro, mas esta é uma boa publicação, que está a fazer um percurso sólido e já tem reconhecimento internacional em várias bases de dados.” Doenças autoimunes: medicação off-label Numa das sessões mais esperadas do dia, subordinada ao tema da medicação off-label nas doenças autoimunes, os especialistas que compuseram a mesa explicaram o conceito e como é importante este recurso.
Carlos Vasconcelos, diretor da Unidade de Imunologia Clínica do Hospital de Santo António, no Porto, presidiu a esta sessão e sublinhou a sua relevância para a comunidade médica. “Este é um tema muito importante porque convém que a comunidade médica tenha bem claro o conceito de off-label, que está bastante longe do conceito de ilegal. Off-label quer apenas dizer que não há evidência científica que permita que o medicamento esteja on-label. E, na maior parte das vezes, não existe essa certificação porque é um processo bastante caro”, explicou o médico, que avançou ainda que o off-label é utilizado apenas quando estão esgotadas todas as outras possibilidades. “Primeiro é preciso evitar que os doentes morram. A nossa primeira missão é não fazer mal, mas não devemos esquecer que para isso é preciso que o doente esteja vivo”, terminou. Assembleia Geral da SPMI fechou o dia de trabalho A encerrar o terceiro dia de CNMI, reuniram a assembleia geral do Colégio de Medicina Interna e a assembleia geral da SPMI.
Na ocasião, João Araújo Correia enumerou o trabalho que foi feito pela direção no último ano, o primeiro do seu mandato, destacando o estreitamento de relações da Medicina Interna com a Medicina Geral e Familiar, o trabalho desenvolvido com os núcleos na definição de critérios de certificação, a promoção de protocolos de cooperação com a Sociedade Espanhola de Medicina Interna, a parceria construída com a APAH e, ainda, a reunião tida com a Secretária de Estado da Saúde, onde a direção da SPMI explanou as suas propostas para a melhoria global do SNS. No final da assembleia foi ainda aprovada por unanimidade a atribuição do título de sócio honorário a Estevão Pape, médico internista que o ano passado foi o presidente do 24.º CNMI.
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